sexta-feira, 8 de maio de 2015

REVOLTA DE BARUE

Índice

 

Introdução

O presente trabalho abordara aspectos referentes as resistências africanas, mas especificamente da revolta de Báruè
Após a delimitação de fronteiras moçambicanas, passou se para a fase de fixação nas colónias. A presença dos portugueses na região centro ao longo do vale do Zambeze resultou numa revolta a que se de revolta Zambeziana e restritivamente de revolta  de bárue, encabeçada pelos vários Macombes.
No que tange aos objectivos, temos como objectivo geral: conhecer o desenrolar da revolta de Báruè; e como objectivos específicos propomos: dar o conceito de revolta; mencionar as causas da revolta; demonstrar a relação existente entre as revoltas (de Báruè) e o nacionalismo africano.
No tocante a estrutura, ele obedece a seguinte: conceito da revolta de Báruè; causas; o desenrolar da revolta; objectivos da revolta; causas do fracasso da revolta e, por fim temos as consequências da mesma.
No que concerne as metodologias usadas, temos a consulta bibliográfica como a base.
As dificuldades sempre existiram, mas com muito esforço foram ultrapassadas pelo grupo.
Esperamos que o conteúdo do trabalho seja útil à todos que tiverem acesso ao mesmo.







1.A REVOLTA DE BÁRUÉ

A resistência a ocupação colonial portuguesa em 1904, no território moçambicano foi feita com o surgimento das alianças em 1917 centrada em Báruè com objectivo de libertar a sua terra natal, expulsando os portugueses e aqueles que ajudavam a perpetuar o sistema colonial na zona.

1.1.Localização do estado de Báruè

O Estado de Báruè é limitado ao norte pelo curso de Luenha, ao sul pelo curso de Punguè, a leste por uma grande linha que define os prazos como: Massangano, Tambara e Gorongoza, e a oeste pela fronteira da Rodésia. O seu máximo comprimento, medido do Luenha e o Pungué é de 370 km aproximadamente.

1.2.Surgimento e desenvolvimento do Estado de Báruè

Báruè foi produto da desagregação do Estado de Muenemutapa, reino bastante poderoso, consegui resistir à devastação Nguni e às disputas com os Estados Militares vizinhos, apesar de constantes e sucessivas crises de sucessão.
Báruè era impróprio para qualquer exploração agrícola comercial, a cerca era ainda, em 1902, o único produto negociado pelos Baruítas, juntamente com algum marfim de elefante e ouro de aluvião.
Não foi, portanto, sob o impulso de um expansionismo essencialmente financeiro que os portugueses agiram, as suas preocupações eram, antes de tudo, políticas, pois não podiam continuar a tolerar junto de uma fronteira internacional, um estado independente que não só recolhia, ajudava e estimulava tudo quanto na Zambézia meridional havia de “rebelde”, como também se gabava de ser invencível.
Essa suposta invencibilidade funda-se nas vitórias Baruitas e seus aliados contra João de Azevedo Coutinho em 19 de Novembro de 1891 e Manuel António de Sousa à 20 de Janeiro de 1892. O ter-se desembaraçado sucessivamente dos dois (2) mais temíveis homens de guerra que os portugueses dispunham denotava, aos olhos dos africanos, uma industrutibilidade do Báruè que não podia deixar de ser sobrenatural.

2.A grande revolta na Zambézia: a revolta de Báruè (1917-1918)

Segundo Pelissier (1994:334-344) a grande revolta de 1917-1918 na Zambézia restritivamente é classificada como revolta de Báruè.
Escreveu ainda Pelissier (1994:344) que “revolta de Báruè foi uma rebelião pan-étnica que reuniu momentaneamente grupos tradicionalmente hostis (Báruè e Monomutapa) aos seus antigos feudatários mais ao menos perdidos (Tongas, Gorongosa), e por vezes seus inimigos (Chicundas e descendentes de alguns senhores de prazos) ”.

2.1.Causas da revolta

Sabemos que o Báruè era uma simples circunscrição directamente administrada pelo Estado, cujas actividades se limitavam a cobrança de Mussoco (idem:345).
Para SERRA (2000, p.313) acrescenta ainda que tudo começa em 1914, quando governo Português decidiu mandar construir uma estrada ligando Tete e Macequece, passando por terras de Báruè - que permitisse um maior controlo administrativo da zonas interiores e, o recrutamento fácil de homens para lutar contra os alemães que haviam penetrado em Moçambique pelo norte, vindos de Tanganyica no decorrer da I GM. Esse recutamento era feito duma forma abusiva do pessoal administrativo;
De acordo com Pelissier (1994, p.345) aborda que a abertura da estrada acima supracitada, resultou a recruta intensa de carregadores e trabalhadores forçados, já avaliados em vários milhares por ano. O seu recrutamento efectuava-se nas habituais condições de exploração: coerção, ausência de salário e alimentação, violação das mulheres e garrotas pelos sipaios e por certos brancos, impossibilidade de obter a reparação dos abusos, etc
·         Recrutamento compulsivo da mão-de-obra e sem remuneração na construção de uma estrada, ligando Tete à Macequece, passando pela terra dos Báruè;
·         Abusos de sipaios aos trabalhadores recrutados em 1914.


2.2.Preparação da rebelião

Nas vésperas da rebelião em virtude das guerras de 1902, esta importante comunidade do Zambeze estava dividida em duas chefaturas : Nongue – Nongue com a capital em Mungari e Matrosa, primo de Nongue, que governava os territórios do sul do interior de Gorongosa.
O aparecimento na cena politica zambeziana de uma jovem de nome Mbuya, Nongue - Nongue para levar a cabo os seus intentos iniciou um intenso trabalho diplomático, visando a formação de uma ampla coligação anti-colonial zambeziana.

2.3.Início da rebelião

A revolta de Bárue iniciou a 27 de Março de 1917, quando Chemba, Tambara e Chiramba foram atacados e paralelamente os camponeses de Sena e Tonga se soblevaram.
Em Abril os portugueses foram expulsos de Massangane, Cheringoma, Gorongosa e Inhaminga. Instalaram-se na companhia de Moçambique. Os Barue cercaram Tete, Zumbo estimulando outros povos ainda oprimidos (sobretudo os do sul).

2.4.A política expansionista de Makombe

Após a consolidação do estado nos actuais distritos de Guro, Barue e Makossa foi organizada uma campanha de submissão de outros povos ao estado, como evidencia, tem-se o facto dos Nhangulos serem considerados donos da terra.

Makombe chegou a controlar a região que vai de Gorongosa à actual fronteira com o Zimbabwe, de Tambara, Mungari, Chemba a Norte, ao rio Pungue a Sul. Ora, estas conquistas foram impulsionadas pelos Mhondoros de guerra.

2.4.1.Estrutura política e administrativa dos Makombes.


Ate finais do seculo XVII, Os possuiam o estatuto de uma unidade politica independente do mwenemutapa. Segundo Pelissier, (1994, p.17), “A politica expansionista e de dominação adotada por Makombe [...] e o modelo de estrutura politica administrativa [...] foi semelhante em muitos aspectos a de Mutapa, com quatro principais agentes do poder:”

Para a administração do território o mambo (Makombe), contava com assistência de um conselho de ancião e com os Nyangulos, os Madodas formavam um conselho restrito que integrava também membros da família real. A indicação dos madodas era com base no prestígio e respeito que gozavam na comunidade.

O pagamento de tributos era praticado entre as chefias, é provável que se pagasse taxa de trânsito de mercadorias e resolução de conflitos. O título Nyangulo era hereditário do pai para o filho.
 Isaacman 1976, apud Pires (2006, p.18), afirma que “a disputa do trono entre Makombe Nongwe Nongwe e Makossa foi resolvida por Mbuya medium herdeira do Kabudo Kagoro. ”

2.4.2.Decorrer da guerra

O Báruè foi o centro da revolta de 1917-1918, (idem:345).
Depois da guerra de 1902, a chefatura ficou duramente debilitada. O Macombe Tanga e vários dos seus conselheiros estavam refugiados na Rodésia do sul. O Macombe morreu ali em 1910, mas depois de ter transmitido ao seu irmão ou a seu filho mais velho Chikowore, que recebeu o nome de Nongue-Nongue, as pretensões ao título de Macombe, (ibdem:346). Destas pretensões surgem rivalidades entre os dois ramos reais do Báruè que impediu a constituição de uma sólida frente. Nongue-Nongue que tinha estado sempre no Báruè e tinha regressado do exílio, dominava a partir de Mungari, o centro do antigo reino. Mas, mais a sul na Gorongosa, levava-lhe a melhor outro Macombe, seu primo Macossa. Ambos se diziam macombes de direito e esperavam a derrota do outro para reinar em todo Báruè. Nem um nem o outro nos parecem, a princípio, decididos à insurreição. Limitavam-se a enviar delegações a Tete para protestar contra os abusos, (idem:347).
Ainda de acordo com Pelissier (1994, p.347), foi necessário o impulso religioso na pessoa de Mbuya- principal médium (swikiro) do espírito nacional (M’pondoro) do Báruè, o Kabudu Kagolo. Mbuya fustigava ambos os pretendentes pela sua moleza e convidava - os a pegarem armas para defender o seu povo, eram as mulheres, mais ainda que os homens que cada vez menos suportavam os abusos, depois das pancadas, violadas, e sujeitas a fome, eram elas que em qualquer caso, tinham de realizar a parte essencial dos trabalhos agrícolas e - ou da construção de vias. E Nongue-Nongue aproveitou a oportunidade para obter o apoio do médium para a sua causa, declarando-se disposto a seguir os vaticínios de M’buya e a rebelar-se contra os portugueses.
Isaacman apud Pelissier (1994, p.347), diz que Nongue-Nongue depois de uma sentada, popularizou o descontentamento geral, e atraiu para junto de si muitos chefes importantes e entre eles, partidários de Macossa. Este ao sentir que os ventos favoreciam a militância, também mudou de atitude, mas conservando uma certa autonomia a fim de defender o seu futuro.
3.Objectivos da revolta
Isaacman apud Ranger (2010, p.65), sustenta que,
a revolta desencadeada em 1917 no vale do Zambeze era diferente dos movimento de resistência que ali tinham irrompido anteriormente, “com o fim de reconquistar a independência de uma formação politica histórica ou de um grupo de povos aparentados”. A revolta de 1917 destinavase a “libertar todos os povos do Zambeze da opressão colonial”, apelando especialmente aos camponeses oprimidos, independente de sua filiação étnica.

Na óptica com Pelissier (1994, p.345), diz que o objectivo era de, “expulsar os portugueses, mas não todos os brancos e a sua actuação baseava-se na expulsão das autoridades coloniais no Zambeze”.
Para evitar a repetição da derrota de 1902, Nongue-Nongue, procurou unificar todas as tendências anti-portuguesas de entre Sena e Zumbo, de ambos os lados do Zambeze ou mesmo até Beira. O tema de Nongue-Nongue era fácil de assimilar: “Todos somos explorados e humilhados e, portanto, devemos repelir os portugueses e os seus cúmplices”.
De acordo com Serra (2000, p.315), em fins de 1916 ultimara-se os preparativos para a resistência armada. Constituíram-se, então, três (3) frentes de combate principais:
·         1ª: Macossa com o seu chefe militar N’garu, comandando uma força conjunta de exércitos Báruè, Sena, Tonga e Gorongosa, na frente sudeste, com a missão de capturar Sena e destruir as propriedades da companhia de Moçambique;
·         2ª: Nongue-Nongue e o seu conselheiro militar Cuedzani, com o exército conjunto Báruè-Tauara, deviam libertar a região Mungari-Tete;
·         3ª: Finalmente no noroeste, forças Tauara, N’senga e grupos A-Chicunda deviam erradicar a presença portuguesa do zumbo e dos postos administrativos de Cachomba e Chicoa.
Os insurrectos cingiam sobre a cabeça com um pano vermelho e um código de palavras apropriadas, permitiam a identificação entre os diversos grupos componentes do exército, (ibdem:316).
Segundo Newitt (1997, p.367), apesar da revolta atrair o apoio maciço de quase todos os grupos étnicos do vale, era ainda em muitos aspectos uma insurreição que olhava para o passado e aceitavam nas crenças e práticas tradicionais. Os combatentes dispunham de: “Mesinhas” que transformaria as balas em água e na região de Tavara as pessoas eram incitadas a matar os porcos antes de aderirem a revolta.
A preparação dos baruitas para a revolta passou-se despercebida dos portugueses, pois devido a mobilização dos europeus para lutar contra os alemães, deixara no Báruè apenas um secretário de circunscrição e militares nenhuns, (Pelissier: 1994, p.349).
De inicio, o êxito foi dos baruitas, devido a falta de preparação por parte dos portugueses. Mas o ponto de viragem deu se segundo Serra, (2000:316), em Novembro de 1920, quando a revolta foi controlada pelos portugueses, que tinham reforçado o seu exército com mais de trinta mil soldados Nguni, além do auxílio militar recebido da Rodésia e Niassalândia.
No âmbito da guerra, a resposta portuguesa estava em acção dois poderes: a companhia de Moçambique e o exército. O plano de ataque português era:
·         Proteger e reconquistar, com prioridade, as partes úteis das terras da companhia (caminho de ferro da Rodésia e fazendas da margem sul do Zambeze);
·         Cair em seguida sobre o coração de Báruè a fim de extinguir o foco central, (Pelissier, 1994, p.362).
A guerra teve três (3) fases: Numa primeira fase foi enviada uma canhoneira para o Zambeze e o ponto estratégico de Tambara capturado em finais de Maio. As colunas portuguesas derrotaram os principais exércitos rebeldes e libertaram as cidades ameaçadas em finais de 1917. Numa segunda fase: os combates tiveram lugar nas montanhas da escarpa ao longo da fronteira rodesiana, onde os bandos de rebeldes se movimentavam com relativa liberdade entrando na e saindo da Rodésia e desencadearam ataques as posições portuguesas. Numa terceira fase: em finais de 1918 porém, todos os líderes de Báruè tinham fugido para o exílio onde foram desarmados, (Newit, 1997,p.367).

4.Causas do fracasso da resistência

Para Serra (2000, p.316), aponta as seguintes causas:
·         Elevado número de efectivo por parte dos portugueses;
·         A superioridade dos armamentos, pois os portugueses já usavam a artilharia e metralhadora;
·         Conflitos e deserções entre membros da “elite” dirigentes da resistência;
·         Alguns erros tácticos por parte dos Báruè, pois continuavam a valer-se das Arengas, o que desmotivou os soldados acossados pela artilharia provocando as deserções;
·         As deserções nas fileiras Báruè após a médium espírita M’buya ter vaticinado a derrota dos Báruè por não haverem obedecido as regras ancestrais no tocante ao não pisarem os estercos dos porcos, seu totem, o que desmotivou soldados fortemente confiantes nos amuletos e punções dos espíritos M’pondoro.

5.Consequências da revolta de Báruè

De acordo com Ranger (2010, p.65), do ponto de vista da soberania, podese afirmar que eles anteciparam sua reconquista e o triunfo do nacionalismo africano. Na medida em que são depositários de ideologias proféticas, podese considerar que tenham contribuído para novos agrupamentos em torno de ideias. Alguns trouxeram consigo a melhora da situação dos povos revoltados. Outros instituíram lideranças alternativas oficialmente reconhecidos.



Conclusão

Após a realização do trabalho, concluiu-se que a presença portuguesa na região do Zambeze tanto como nas outras áreas encomodavam os nativos, visto que eles viam os seus direitos alienados pelos portugueses.
Para ultrapassar este mal, vários povos de Báruè lutaram para reprimir e expulsar todos que - lhes exploravam e humilhavam juntamente com os seus cúmplices, conforme dizia o lema de Nongue-Nongue, um dos macombes da revolta de Báruè durante a revolta. Para isso, o macombe formou e usou três frentes de combate, cada uma com o seu objectivos: 1ª frente liderada por Macossa um dos macombe juntamente com o N’garu, com a missão de capturar Sena e destruir as propriedades da companhia de Moçambique; a 2ª , liderada por Nongue-Nongue e o seu conselheiro Cuedzani, com a missão de libertar a região de Mungari - Tete e, finalmente a 3ª frente composta por forças Tauara e grupos A-Chicunda, com a missão de erradicar a presença portuguesa no Zumbo.
A luta não foi fácil, apesar de no inicio o êxito for totalmente dos báruès, visto que a preparação da guerra passou despercebida dos portugueses devido o conflito que eles travaram com os alemães no norte de Moçambique.
Por volta de 1918-1920, os portugueses tomaram o controlo do conflito e os macombes juntamente com os homens refugiaram para a Rodésia do Sul, onde foram desarmados.
A revolta de Báruè serviu como impulso para os movimentos de resistência contemporâneos em prol da liberdade. E do ponto de vista da soberania, eles anteciparam a sua reconquista e o triunfo do nacionalismo africano.





Bibliografia

·         NEWITT, Malyn. História de Moçambique. Publicação Europa-América. S/l; 1997.
·         SERRA, Carlos. História de Moçambique. Agressão Imperialista-1886-1930; Livraria Universitária da UEM. Maputo; 2000;
·         PELISSIER, René. História de Moçambique - Formação e Oposição 1854-1918; II Volume; Imprensa Universitária; Editorial Estampa; Portugal; 1994;
·         RANGER, Terance. O. História Geral de África: África Sob dominação Colonial 1880-1935; 2ª Edição - Rev; edição Albert Adu Boahen; Brasília: Unesco; 2010.

3 comentários:

  1. trabalho louvavel, trabalho que serve para impulsionar estudantes em busca do seu passado.
    abrc

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  2. Força, agrega mais um conhecimento sobre personagens que não constam na nossa história

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